Falar "O Bardin" e muito tempo depois descobrir que é uma mulher e a pronuncia certa é "BardAN". Então correr atrás pra arrumar um gravador, e passar a dar um valor absurdo para o celular, além da importância de mantê-lo limpo. Pode roubar o aparelho, mas não leva o cartão de memória!
Então parte fazer entrevista. Encontra a população ideal, marca encontro, tudo no jeito. Planeja uma lista de perguntas que farão você se sentir a Marília Gabriela, tudo pra ter depoimentos comoventes e importante. Óbvio que você esta pensando no impacto social e na publicação em uma revista de renome. Então você cai na real sobre a trabalheira que é transcrever e leva perguntas para render, no mínimo, 15 minutos.
Perguntas na mão, sala tranquila, celular em mãos (rezando para que ele não toque!). E começa a entrevista. Tudo o que você perguntou, seu entrevistado responde em 7 minutos, e você ali, cutucando, indagando, fazendo possível para a pessoa falar até completar 10 minutos. Porque menos que isso você vai ser comido vivo pela orientadora. Como disse a Deaba na última vez: você tem dois projetos científicos prontos e até agora não aprendeu a fazer entrevista. Paciência, respira fundo.
Ok, já deu. Você aperta o botão de pausa com todo o cuidado do mundo, como estivesse segurando um bebê de 22 semanas que está respirando com dificuldade. Tudo por medo do celular não dar pau e você perder aquelas lindas falas.
E então, quando você aperta pausa, no exato instante que você respirou aliviada "Terminou", o entrevistado solta "Ai complicado né... porque assim". E ele faz, ele diz. Então que o misto de prazer e agonia começa. O seu entrevistado começa a desembuchar, sem você fazer UMA pergunta. Ele fala tudo, fala o que realmente acha das coisas, o que ele não acha. Conta dos colegas do serviço, conta dos problemas particulares. Dispara de falar e você ali ó, com cara de coito interrompido, não sabendo se você ama ou odeia o sujeito. Interrompe: Por favor, deixa eu gravar? Resposta: Ah não... porque você quer saber disso. E você ali, sofrendo e ao mesmo tempo se deliciando por ouvir tudo aquilo.
Isso não aconteceu comigo só uma vez não. Aconteceu Várias vezes. Uma vez a mulher contou sobre a comunidade que ela trabalhava lá na PQP, "eu trabalhava na Sagrado Coração de Jesus.. vulgo Risca-faca". Marcou. Então você vai pra sua casa conformada e tem que transcrever tudo aquilo. Palavra por palavra. Detalhe por detalhe, se o sujeito riu, se chorou (já aconteceu), se alguém interrompeu (já aconteceu). Inclusive você tem que contar a PIADA que o entrevistado fez no meio da entrevista, que não tem nada a ver com o assunto, mas tem que estar lá registradinha. E pensando, será que a orientadora vai ler isso? A minha primeira orientadora leu... riu, mas não gostou.
Então é isso.... meses disso ai... Quando terminar eu coloco aqui o resultado.